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Tecnologia ajuda brasileiros que querem permanecer no campo.

Atualizado - 08 de Outubro de 2018 - Hora: 10:16:18

Nesta semana, o Jornal Nacional apresentou uma série especial de reportagens sobre alguns dos desejos mais repetidos pelos brasileiros nos vídeos em que diziam que país eles querem para o futuro. Nós vimos que, em alguns casos, esse Brasil não só é possível, como já existe. Neste sábado (6), Marcelo Canellas mostra um Brasil que oferece ao cidadão do campo a oportunidade de crescer sem precisar se mudar para os maiores centros urbanos. "O Brasil que eu quero para o futuro é um Brasil com mais oportunidades de emprego para os jovens", diz Bruno Forasteiro – Roseira/SP. "Com mais igualdade", afirma Jacira da Silva – Espumoso/RS. "Onde a sociedade e o governo incentive o jovem a ficar na agricultura ", dizem Ismael Uebel e Morgana Sturmer - Chapada/RS. “Onde o produtor rural seja valorizado e onde o dinheiro público tenha retorno para a sociedade”, afirma Manoela Camargo Donner - Água Doce/SC. Foi de uma estradinha rural no município catarinense de Água Doce que a Manoela fez o vídeo que mandou para gente. Do alto dá para ver as torres de geração de energia do parque eólico da região. Duas dessas torres estão dentro da fazenda que é arrendada pelo marido da Manoela. Um jovem casal que quer permanecer no campo, dá duro para isso, mas enfrenta dificuldades para se manter. Manoela ama morar no campo. “Eu quero muito que meu filho continue aqui”, afirma Manoela Camargo Donner, técnica em serviço público. Ela, o marido e os dois filhos vivem do que o casal produz. “Aqui o foco maior é a ovinocultura de corte. Criação de ovelha”, conta Tiago Pierdoná Santos, técnico agrícola. Mas o aluguel da terra pesa. Manter um rebanho é caro. “Tem que fazer bastante conta para não chegar no final faltando”, diz. JN: E você tem medo que falte? Tiago: Tenho. JN: Você que cuida da conta, não é? Manoela: Eu. JN: Você que bota na ponta do lápis? Manoela: Parte administrativa, banco, medicamento, cooperativa, essas coisas. JN: Você que sente o drama todo mês para fechar as contas? Manoela: Sim. Eles morrem de medo de ter de procurar emprego na cidade. JN: Como seria para vocês? Manoela: Triste. Seria triste. O trabalho deles é engordar ovelha no pasto e vender para o frigorífico. Mas e se, no mesmo ramo, eles ganhassem mais tentando algo diferente? “Ah, se arriscaria! Algo novo é sempre bem-vindo”, diz Tiago. Um avião até Florianópolis, um tantinho a mais de carro até Nova Trento, e a novidade, quem diria, veio da tradição. A família Eccher está há 150 anos plantando mandioca e fazendo farinha. E já superou cada crise... “ Nós tínhamos estufa, paiol, e veio enchente de 1961 e levou tudo embora. E aí ficamos sem nada”, conta o agricultor Eurides Eccher. Sempre se reergueram com o que fazem de melhor. JN: A maneira de produzir sempre foi a mesma? Eurides: Sempre a mesma. JN: Do jeito que o senhor aprendeu com seu pai o senhor ensinou para eles? Eurides: Sim. E sempre trabalhando em família. O Tiago e a Manoela estão aprendendo com o pessoal como é que descasca a mandioca. JN: Como é que estão se saindo aí gente? Manoela: Estamos aprendendo. Mas se é tudo do mesmo jeito, o que é que mudou? “A família tinha um produto de excelente qualidade. Estava embaixo da mesa, como a gente diz, e a gente quis colocar esse produto em cima da mesa’, explica Henrry Petcov, extensionista rural da Epagri. Em vez de vender a farinha para um atravessador embalar, o produto já sai prontinho. Com noções de gestão e de marketing, os filhos do seu Eurides deram à herança ancestral da família uma cara totalmente nova. “Aí conseguimos botar a marca, daí conseguimos embalar e começar a botar no mercado”, diz o agricultor Ediano Eccher. JN: E o pessoal vendo a embalagem bonita no mercado é diferente né? Ediano: É bem melhor. JN: Não é verdade? Até pagam um pouquinho mais? Ediano: Sim. JN: É o que vocês querem não é? Ediano: Isso mesmo.