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Facebook cedeu dados pessoais dos usuários a gigantes da tecnologia

Atualizado - 19 de Dezembro de 2018 - Hora: 18:43:38

Reportagem do NYT diz que Facebook compartilhou dados de usuários com outras empresas O Facebook compartilhou mais dados pessoais de seus usuários com gigantes tecnológicos como Microsoft, Amazon e Netflix do que tinha revelado até agora, segundo informou nesta quarta-feira (19) o jornal "The New York Times". O jornal nova-iorquino teve acesso a centenas de documentos internos da companhia de Mark Zuckerberg que revelam como compartilhou os dados sem o consentimento dos usuários, que atualmente somam 2,2 bilhões. A publicação disse também ter entrevistado cerca de 50 ex-funcionários e parceiros da empresa. Em troca, o Facebook tinha acesso mais profundo às relações entre os usuários e essas empresas, e poderia sugerir mais conexões, como aquelas que aparecem no recurso "Pessoas que você talvez conheça". O que foi acessado O Facebook autorizou ao Bing, a plataforma de busca da Microsoft, a ver todos os nomes das amizades dos usuários do Facebook. À Netflix e ao Spotify permitiu ler as mensagens privadas. A rede social também deu à Amazon acesso ao nome dos usuários e informações de contato e ao Yahoo permitiu ver publicações das amizades. Algumas destas práticas ocorreram pelo menos até meados do ano. Quando atingido por múltiplos escândalos de privacidade, o Facebook tinha dito publicamente que já não permitia tais ações. No total, cerca de 150 companhias se beneficiaram destes acordos para entrar nos dados do Facebook. A maioria é voltada à área de tecnologia, mas entre elas também havia lojas on-line, montadoras e empresas de comunicação, segundo a reportagem. Facebook se defende O diretor de privacidade do Facebook, Steve Satterfield, disse ao jornal que nenhuma parceria violou as regras de privacidade dos usuários ou os compromissos que a empresa assumiu com os reguladores federais. "Nenhuma dessas parcerias ou recursos concedeu às empresas acesso a informações sem a permissão dos usuários, nem violaram nosso acordo de 2012 com a Comissão Federal do Comércio dos Estados Unidos (FTC, na sigla em inglês)", também afirmou Konstantinos Papamiltiadis, diretor de plataformas de desenvolvedores e programas do Facebook, no site da empresa. "Sabemos que temos que conquistar a confiança das pessoas de volta", disse Satterfield ao jornal. "Proteger as informações das pessoas requer termos mais rígidos, uma melhor tecnologia e políticas mais transparentes, e é nisso que temos focado neste ano", completou. Ano de escândalos Este não é o primeiro escândalo do ano para o Facebook. Em março, investigações apontaram que dados de usuários tinham sido usados pela empresa britânica Cambridge Analytica para fazer análise política e influenciar as eleições americanas de 2016. A empresa admitiu que 87 milhões de contas foram atingidas. No último dia 6, uma investigação do governo britânico concluiu, após ter acesso a e-mails, que Zuckerberg apoiou compartilhamento de dados de usuários do Facebook, o que levou ao caso da Cambridge Analytica. Porta-vozes do Spotify e da Netflix disseram ao "NY Times" que "não tinham conhecimento dos amplos poderes que o Facebook lhes concedeu", enquanto o Yahoo negou ter utilizado informações para publicidade.